Triste Fim de Policarpo Quaresma: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Lima Barreto, por Bruno Alves

SEGUNDA PARTE

4 – “Peço Energia, Sigo Já

A irmã de Quaresma, pouco mais velha que ele, levava a vida de maneira simples e prática: ter onde morar e o que comer lhe bastavam. Não tinha grandes paixões, ambições ou desejos. Nunca teve necessidade de se casar, o sexo não lhe era um peso.

O major, aparentemente, também era um homem sereno. Um olhar mais atento, entretanto, revelava uma inquietude de sua alma: seu olhar por vezes se perdia no horizonte, ou no chão, e seus pensamentos pareciam dar voltas em si mesmo. Seus empregados percebiam estes momentos, mas tomavam-no com naturalidade. Adelaide não estava o tempo todo com o irmão e desconhecia tais devaneios. Os seus demais relacionamentos, Ricardo e a afilhada, estavam distantes há muito tempo e, portanto, não notavam as preocupações de Quaresma.

O trabalho na fazenda continuava, dentro do possível. Todos os instrumentos meteorológicos comprados pelo major foram inúteis e acabaram abandonados – nenhuma previsão climática se confirmou. Nas terras ao redor a miséria continuava imperando, para a tristeza de Quaresma, que esperava encontrar uma forma de solucionar aquela situação.

Seus empenhos, no entanto, não davam resultados animadores: os custos de empregados, pesticidas contra as saúvas, que constantemente atacavam as plantações, transporte e atravessadores na cidade resultavam num lucro irrisório. Ainda assim, Quaresma encontrava ânimo para planejar novos investimentos em máquinas importadas.

Com a chegada das eleições, o major foi sondado pelo doutor Campos para participar do jogo político. Após recusar-se a tal demanda, Quaresma passou a receber intimações e multas dos órgãos públicos, que exigiam que ele passasse a roçar e capinar as vias públicas ao redor de seu terreno. E as más notícias não paravam por aí: os animais criados por Adelaide foram atacados por pestes que os veterinários da região não sabiam curar.

Cercado por desastres e injustiças, o major repassava diversos acontecimentos de sua vida e tudo parecia sem importância. Sua alma enxergava que para solucionar os problemas da nação, era necessária uma mudança mais profunda, uma nova administração que governasse com sabedoria…

Felizardo avisou ao patrão que se esconderia no mato por alguns dias: havia uma insurgência da Marinha contra o presidente Floriano Peixoto e os homens logo seriam recrutados. O major sentiu uma ponta de esperança e saiu para a estação, mandando antes um telegrama: “Marechal Floriano. Peço energia. Sigo já. – Quaresma”.

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