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Sagarana: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Guimarães Rosa, por Bruno Alves

ATENÇÃO: A experiência artística da leitura literária é única e pessoal: sempre que puder, entre em contato com os textos originais para compreender os livros em sua essência.

Conversa de bois

Manuel Timborna conta ao narrador uma história de bois que, segundo ele, tem a capacidade de falar. Ele teria ouvido o caso de uma irara, um animal que assistiu os fatos e contou-lhe tudo.

No interior de Minas Gerais um carro puxado por bois fazia seu caminho com Tiãozinho, um triste menino, à frente. O pai do garoto havia falecido e seu corpo estava sendo carregado sobre uma carga de rapaduras. O carreiro, que maltratava muito os bois, era Agenor Soronho, um homem que se engraçava com a mãe de Tiãozinho e que provavelmente seria seu padrasto.

Eram seis bois, dois a dois puxando o carro: Capitão e Brabagato, Dançador e Brilhante, Realejo e Canindé. Os animais começam um diálogo em que se reconhecem como bois especiais, pois não eram alimentados para o abate – tais semelhantes nem têm a consciência de que são bois, acreditam eles. Os homens, por outro lado, são vistos como inimigos, que não deveriam existir: são lembrados casos de bois que enfrentaram e venceram os humanos. Há outra conclusão a que chegam: só bois que andam em carro-de-bois podem pensar como o homem, mas isso não é muito bom, já que os tira de sua natureza e os faz enxergar diversas coisas negativas, como o medo, a pressa, tristeza, tudo o que há de ruim.

Durante o caminho Agenor vai ferroando os boi e caçoando de Tiãozinho, por conta da morte de seu pai. O garoto seguia com raiva daquele homem malvado que queria ficar com sua mãe.

Os bois lembram o caso do boi Rodapião, que de tanto ficar junto aos homens passou a pensar como eles: idealizou como deveriam pastar e beber água para ter de andar o mínimo possível; acreditava que antes de qualquer ação era necessário pensar. Certo dia, ao ser levado para pastar em um morro, Rodapião observou uma junção de árvores no topo e concluiu que ali havia água, mas ao subir o morro ele se desequilibrou, caiu e morreu.

Agenor cruza com outro carro-de-bois que despencou da ladeira que havia à frente. Ele era conduzido por João Bala, que justificou o acidente de diversas maneiras. Agenor Soronho dirigiu seus bois com mais braveza, só para mostrar como é que se subia uma ladeira daquela.

Os bois percebem que Agenor começa a dormir, assim como Tiãozinho, que anda como sonâmbulo. O boi Capitão começa a incorporar os pensamentos do menino, dizendo que poderia vingar seu pai derrubando Agenor do carro. Todos os bois entram no mesmo transe e fazem uma manobra rápida que derruba Soronho: ele cai e a roda passa sobre seu pescoço.

Tiãozinho não acredita no que vê, se sente culpado, lembra que estava sonhando acordado. Chegam outros homens que veem o desastre e confortam o menino.

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