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Sagarana: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Guimarães Rosa, por Bruno Alves

ATENÇÃO: A experiência artística da leitura literária é única e pessoal: sempre que puder, entre em contato com os textos originais para compreender os livros em sua essência.

A hora e a vez de Augusto Matraga

Augusto Matraga, cujo verdadeiro nome é Augusto Estêves, filho do Coronel Afonsão Estêves, vive no Arraial do Murici. Lá ele é respeitado por sua valentia, que demonstra em brigas e na conquista de moças da região – mesmo sendo um homem casado.

Sua mulher, Dionóra, cuida de Mimita, filha do casal, e sabe das aventuras amorosas de seu marido. Ela também sabe que, após a morte de seu sogro Afonsão, Augusto se afundou em dívidas, além de estar do lado mais fraco da política local. Dionóra é cortejada por Ovídio Moura, que realmente gosta dela e já a chamou para morar com ele.

Dionóra e Mimita estavam indo para a fazenda do Morro Azul, acompanhadas por Quim Recadeiro, criado de Augusto, quando Ovídio surgiu e repetiu seu convite, o qual foi imediatamente aceito pela mulher: seguiram para a fazenda dele e Quim foi avisar seu patrão sobre o ocorrido.

Nhô Augusto, ao saber da fuga de sua mulher e sua filha, mandou reunir seus homens para armarem um ataque ao seu concorrente. Porém os capangas haviam se aliado ao Major Consilva, já que Augusto não estava pagando seus salários corretamente. Quim Recadeiro avisou que todos sabiam de sua situação financeira, além de julgá-lo por seu desrespeito às filhas e mulheres dos outros, portanto era preciso cuidado. Augusto, entretanto, insistiu que deveria enfrentar seus adversários frente à frente.

Chegando à fazenda do Major, Augusto foi atacado pelos capangas com porretes e chutes. Conforme ordem de Consilva, Matraga foi levado à beira de um barranco, já desacordado, e marcado a ferro. Em reação à queimadura, Augusto pulou do precipício. Os capangas, que deveriam matá-lo em seguida, não acreditaram que ele poderia sobreviver à queda e foram embora.

No brejo em que Augusto caiu vivia um casal de pretos que o acolheram e cuidaram de seus ferimentos. A pedido de Matraga, eles chamaram um padre ao qual o moribundo se confessou e com quem conversou por um longo tempo. O religioso orientou que Augusto focasse seus esforços somente em trabalhar, para se redimir de seus pecados, reforçando que “Cada um tem sua hora e sua vez: você há de ter a sua”.

Após meses de recuperação e reflexão, Augusto decidiu que precisava afastar-se de seu passado: seguiria para um sitiozinho que possuía no meio do sertão, onde pretendia trabalhar e rezar para ir ao céu “nem que seja a porrete”. Os pretos, que se habituaram a servir o homem, o acompanharam.

No povoado do Tombador, onde estavam tais terras, Augusto foi recebido como meio doido e meio santo: vivia de servir a quem quer que precisasse de ajuda. Aos domingos descansava, andando pelo mato, sem armas para caça, e rezava com as velhas do vilarejo. Ele já não fumava, não bebia, nem se engraçava com as mulheres.

Certo dia Tião da Thereza, conhecido de Augusto, passou pelo local e lhe contou de como andavam as coisas em Murici: Dona Dionóra continuava com seu Ovídio, com quem deveria se casar na Igreja; Mimita tornou-se uma moça muito bela, mas caiu na vida e saiu do arraial; Major Consilva estava mandando em tudo e arrematou as duas fazendas de Augusto; Quim Recadeiro havia sido morto ao atacar a fazenda do Major, em defesa da honra de seu patrão. Matraga ficou chocado com as informações recebidas, mas insistiu que agora ele era outra pessoa.

Mais tarde, ainda abalado com as notícias, confessou ao casal de pretos toda sua história e questionou se ele deveria retornar a Murici para, ao menos, honrar a morte de Quim. Mãe Quitéria orientou que ele relembrasse e seguisse as palavras do padre. Assim ele fez, entregando-se ao trabalho diário com entusiasmo e leveza. Chegou a época das chuvas e Augusto se sentiu renovado, como se Deus tivesse se lembrado dele.

Chegou ao Tombador um grupo de oito valentões fortemente armados, chefiados pelo famoso Joãozinho Bem-Bem. O povo ficou apavorado, sem saber como receber os visitantes. Augusto Matraga, no entanto, entrou em contato com Joãozinho, que se afeiçoou a ele, e lhe ofereceu hospedagem em seu sítio enquanto ficassem no povoado.

O casal de pretos se apressou em preparar um banquete para os convidados e Augusto passou por toda a vila arrecadando bebidas e fumo para servir o bando. Mesmo com a mesa farta, os valentões ainda pediam outros pratos, os quais Augusto esforçava-se para atender.

Durante o jantar Augusto pediu para ver algumas das armas do bando e foi convidado a dar um tiro: acertou na segunda tentativa. Após fazê-lo entrou em desânimo.

No dia seguinte, ao despedir-se de seu anfitrião. Joãozinho Bem-Bem ofereceu-se para realizar qualquer serviço que ele precisasse e ainda o convidou para juntar-se ao bando – ele percebeu que Augusto não vivia ali desde sempre e que escondia um passado de valentia. Mesmo tentado aceitar o convite, que o levaria a vingar-se do Major Consilva, Matraga recusou-o.

Augusto persistiu em seu trabalho, mesmo debaixo das chuvas, até uma manhã ensolarada em que foi agraciado pelo voo de diversos pássaros e sentiu que precisava tomar um novo rumo em sua vida. Atendendo a sugestão de Mãe Quitéria ele montou num jumento – animal um tanto sagrado, por sua participação na vida de Jesus, e saiu sozinho pelo sertão, apreciando as belezas que a natureza lhe mostrava, rumo ao sul – mesmo caminho tomado pelas aves avistadas de manhã. Quem decidia a direção era o jumento, que muitas vezes empacava.

Assim chegaram próximo de Murici, no arraial do Rala-Coco, onde a povo estava agitado: Joãozinho Bem-Bem e seu bando estavam por lá. O chefe do grupo, ao reconhecer Augusto, convidou-o a hospedar-se em sua casa. Ele contou que Juruminho, um dos membros do grupo, de quem Augusto havia gostado, fora morto ao entrarem naquele povoado e a família do assassino iria pagar por seu ato. Joãozinho ofereceu, então, a arma do falecido a Matraga, convidando-o novamente ao bando.

Um velho, pai da família que seria castigada, foi até Joãozinho Bem-Bem pedir-lhe que o matasse, em troca de deixar seus filhos e filhas em paz. O chefe estava irredutível, mesmo com o pedido de Augusto para que deixasse aquela gente em paz. Matraga, com a arma de Juruminho em mãos, desafiou o bando a passar por cima de seu cadáver antes de punir a tal família: era chegada a sua vez.

Tiros e fumaça invadiram a casa, da qual saíram apenas Joãozinho e Augusto, sem mais balas em suas armas e com facas na mão. Matraga, mesmo muito ferido, deu um golpe fatal no líder dos valentões que, caído ao chão, confessou estar contente por ter morrido pelas mãos do homem mais corajoso que ele conhecera.

O povo comemorava o feito de Augusto e caçoava de Joãozinho Bem-Bem, mas o herói do povoado pediu que sua vítima fosse respeitada e que um padre fosse chamado para dar-lhe a extrema unção.

Aproximou-se de Augusto João Lomba, um conhecido e meio parente seu, a quem ele fez seus últimos pedidos: que desse bênção a sua filha, onde quer que ela estivesse, e que falasse a Dionóra que estava tudo em ordem. E morreu.

FIM

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