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O Mulato: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Aluísio Azevedo, por Bruno Alves

ATENÇÃO: A experiência artística da leitura literária é única e pessoal: sempre que puder, entre em contato com os textos originais para compreender os livros em sua essência.

Capítulo 5

Recolhendo-se ao quarto, Ana Rosa chama por Maã-pretinha, forma como trata sua antiga ama de leite. A cafuza despe a moça, lhe serve água e abençoa seu sono. Mônica fora alforriada a pedido da própria Ana, mas o laço maternal que sente por ela a manteve cativa de sua senhora.

Deitada, Ana Rosa repassava os acontecimentos na noite e tinha sobre a imagem de Raimundo uma curiosidade especial: soube que foram criados juntos quando pequenos, mas sequer suspeitava do parentesco que os unia. O comportamento ao mesmo tempo requintado e rude do rapaz lhe chamou a atenção e seus pensamentos logo a levaram a imaginar-se entregue em seus braços, dominada por seus olhares, ouvindo suas declarações de amor.

Ao amanhecer pálida e nervosa, Ana demorou a se levantar. Só o fez ao ouvir na varanda a voz de Raimundo, para o qual se arrumou com esmero antes de sair do quarto. À mesa do café mostrou-se tímida e desconfortável, despertando os cuidados do rapaz. D. Maria Bárbara debocha dos mal-estares das jovens da época, cheias de crises nervosas, e considera que a neta é vítima de “quebranto”, um trabalho espiritual.

Aos poucos, usando palavras sutis, Ana Rosa e Raimundo se permitiam uma maior intimidade e um clima de flerte. O homem falava de suas viagens e a moça comentava seus gostos literários – única diversão que possuía em São Luís. O forasteiro mostrou à prima um álbum no qual guardava gravuras de seus passeios: no meio delas havia a figura de uma mulher francesa, gerando certo espanto em Ana; Raimundo foi ágil para esconder dela a dedicatória que havia no verso.

Antes do almoço a menina executou algumas músicas no piano, a pedido de Raimundo, e depois da refeição, da qual participou o cônego Diogo, seguiram os dois homens e Manuel para visitarem algumas das propriedades do mulato a serem negociadas.

Por onde passavam os três senhores, havia um grande alvoroço: as escravas chamavam suas senhoras para verem “o moço bonito”; algumas famílias comentavam com desprezo a origem mestiça do rapaz; outros suspeitavam que ele era filho do cônego.

Feito o acordo em relação às casas que Raimundo possuía na região, restava uma visita à antiga fazenda de seu pai, que Manuel propôs deixar para os próximos dias, quando houvesse bom tempo.

Enquanto isso seu sobrinho procurou entreter-se com os passeios por São Luís, mas logo se sentiu entediado. Os homens do lugar tratavam Raimundo com certo distanciamento, enquanto as mulheres, quando não estavam em público, ofereciam-se descaradamente. Em casa ele se irritava com os constantes ataques histéricos de D. Maria Bárbara e suas violências contra os escravos.

O único atrativo de Raimundo em São Luís passou a ser Ana Rosa, com quem conversava todos os dias, compartilhando de muitas opiniões sobre a vida. A menina também valorizava a companhia do primo, sentindo-se encantada por ele. Por vezes, porém, a moça desconfiava de certa indiferença do rapaz em relação a ela e caía em aflição e abatimento, esperando obter dele algum alento. Raimundo, preocupado com a saúde da amiga, alertou Manuel sobre a situação da filha.

Imaginando saber a origem dos males de Ana Rosa, Manuel Pedro resolveu dar andamento definitivo ao casamento da filha com o caixeiro Dias, mas foi surpreendido quando ela recusou a união. Concluiu que, da forma que o cônego Diogo havia previsto, a menina estava apaixonada por seu hóspede mulato e decidiu que deveria mandá-lo embora logo. Ana Rosa trancou-se no quarto e chorou por toda a madrugada.

Tendo marcada por seu tio a viagem à sua fazenda para a mesma semana, Raimundo foi ao seu quarto organizar as malas. Há alguns dias ele reparava que seus pertences pareciam terem sido mexidos por alguém, além ter encontrado um lenço, um botão de vestido e alguns outros itens que pertenciam a alguma mulher: provavelmente Ana Rosa fazia visitas secretas a seu aposento. Tal suspeita se confirmou quando Raimundo encontrou a fotografia de sua amante francesa toda riscada, deixando-o vaidoso ao perceber o interesse que a menina devotava a ele.

Certo dia Raimundo reparou, logo que saiu de casa, que a janela do seu quarto fora fechada e retornou rapidamente para flagrar a invasora de seu espaço.

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