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O Mulato: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Aluísio Azevedo, por Bruno Alves

ATENÇÃO: A experiência artística da leitura literária é única e pessoal: sempre que puder, entre em contato com os textos originais para compreender os livros em sua essência.

Capítulo 2

Fazia três meses da estada de Ana Rosa na praia quando Manuel Pedro indagava-lhe sobre o casamento. Nessa ocasião surgiu o cônego Diogo, sempre muito bem cuidado e bem vestido, trazendo notícias a seu compadre, das quais gostaria de tratar em particular.

No escritório de Manuel, o cônego revelou que em breve chegaria de Portugal um sobrinho bastardo do comerciante, filho de seu falecido irmão José com uma negra, Domingas. O rapaz, chamado Raimundo, fora enviado a Coimbra para formar-se em Teologia, mas acabou concluindo os estudos em Direito, e agora retornaria a São Luís para desfazer-se de seus bens e, em seguida, viveria no Rio de Janeiro. O religioso tratava do caso com desgosto, considerando a origem mestiça do rapaz uma afronta à moralidade: para ele pessoas de sangue negro nunca deveriam ter acesso à educação, nem inteligência para superar os brancos.

Manuel considerou razoável hospedar Raimundo em sua casa, em honra a seu irmão. Dias não concordou com essa postura, declarando um perigo receber em casa um homem desta estirpe. Só houve consenso quando Manuel argumentou que uma boa recepção a Raimundo poderia resultar em vantagens nas possíveis negociações que seriam feitas – tanto o comerciante quanto o religioso tinham interesse em comprar as terras do sobrinho bastardo.

Saindo do escritório os compadres encontraram Ana Rosa na varanda, pronta para uma reunião de aniversário à qual iria com seu pai. Enquanto Manuel ia se arrumar o cônego ficou a conversar com a moça. Era fim do expediente no armazém e os caixeiros, que viviam no mirante da casa, entravam para almoçar. O primeiro a passar pela varanda foi Bento Cordeiro, o mais antigo funcionário, muito feio e dado às bebidas. Depois passou Gustavo de Vila-Rica, português recém-chegado que andava sempre bem aprumado, frequentava bailes e gostava de ler. Por último surgiu um pequeno, ainda com dez anos, que evitou cumprimentar Diogo e Ana.

Manuelzinho chegara há seis meses, deixando sua mãe numa aldeia do Porto, e era constantemente maltratado pelos funcionários mais velhos: restava a ele as tarefas de limpeza e varrição do armazém. Sendo chamado pelo cônego para cumprimentá-los decentemente, o menino ficou mudo. Ana Rosa reparou nas unhas compridas e sujas do garoto e, maternalmente, se colocou a cortá-las e limpá-las. Com carinho, a moça indagou o pequeno sobre as saudades da mãe e de sua terra, deixando-o comovido aponto de chorar: era a primeira vez que alguém se importava com ele no Brasil.

Enquanto isso Luís Dias passava pela varanda sem ser percebido e, vendo a cena de Ana Rosa com Manuelzinho, sentiu enorme ciúme. Imaginava que a moça pretendia criar a criança para poder contar com ele quando precisasse enviar cartas a seus amantes e se enxergava como o homem que poria fim a tal situação.

Dias era fechado, guardando em si uma baixeza que poucos desconfiavam. Sua única ambição era ser rico, se propondo a fazer o que fosse necessário para atingir seu objetivo. Sua figura, magra, curvada, de olhos fundos, refletia seu interior. Para economizar, deixava de comprar escovas de dentes, sendo seus dentes podres um dos sinais que repugnavam Ana Rosa. Seu único hábito “extravagante” era levar aos sábados uma garrafa de vinho ou uma marmelada à casa de uma mulata gorda que vivia com duas filhas.

Certa manhã Dias queixou-se de alguma enfermidade e pediu para ficar em seu quarto. Manuel, informado pelo médico que o problema de seu funcionário poderia ser falta de banho, foi à cama de Luís para orientá-lo e acabou afeiçoando-se ao compatriota: logo queria lhe arranjar casamento.

Depois de arranjar as unhas de Manuelzinho, Ana Rosa aconselhou o pequeno a tomar banho todas as manhãs, pois assim ela teria gosto de cuidar dele. Quando subia para seu quarto o menino foi interrompido por Dias, que lhe deu uma palmada e ordenou que não se envolvesse mais coma filha do patrão.

Após voltarem da reunião de aniversário, Ana passou por uma nova crise de nervos. Manuel chamou um doutor que aconselhou à garota distrações e um casamento.

Dias depois o cônego aparece na casa de Manuel para informar a chegada do navio em que viria Raimundo. Os dois foram à fortaleza de São Marcos e embarcaram para o navio, onde receberiam o rapaz.

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