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O Mulato: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Aluísio Azevedo, por Bruno Alves

ATENÇÃO: A experiência artística da leitura literária é única e pessoal: sempre que puder, entre em contato com os textos originais para compreender os livros em sua essência.

Capítulo 11

Já era escuro quando chegaram à fazenda do Cancela, vizinho da propriedade de Raimundo e que estava interessado em comprá-la. O caipira recebeu os visitantes com alguma cordialidade e relatou ter sido muito próximo de José Pedro, que o aconselhara a namorar a filha da patroa, também sua sogra, com a intenção de herdar aquelas terras – e o foi o que aconteceu. Teve com Quiterinha uma filha muito tímida, Angelina.

Durante a noite Raimundo não conseguia dormir pensando na recusa que tivera sobre o casamento com Ana Rosa. Saiu para fumar um charuto e estranhou vozes vindas do meio da mata, mas não conseguiu descobrir quem estaria ali àquela hora. Já no quarto continuou a ouvir conversas nas quais surgiam o nome de seu pai e de sua fazenda, chamada São Brás. Saiu para a varanda procurando a origem dos ruídos, mas nada encontrou. Deitado na rede foi surpreendido pelo vulto de uma velha negra esquelética que apareceu à porta do quarto. Tentou alcançar a figura, mas ela fugiu correndo pelo matagal.

Na manhã seguinte, comentando o caso sinistro, Raimundo foi informado que havia uma porção de negros que viviam como andarilhos, chamados mocambeiros, que surgiam pelas fazendas à noite atrás de alimento. Logo depois foi fechado o acordo de venda da fazenda São Brás, mas Raimundo desejou fazer uma última visita à propriedade.

O caboclo que servia de guia a Manuel e Raimundo se recusou a visitar as terras “amaldiçoadas”, restando aos dois partirem sozinhos ao local. As terras de São Brás estavam totalmente abandonadas e os prédios quase em ruínas, ocupados por morcegos e répteis. O túmulo do pai de Raimundo já não conservava qualquer inscrição, apagada pelo tempo. Emocionado, o rapaz enxergava ali o fim de qualquer esperança em recuperar algo de seu passado. Cruzando as datas de seu nascimento e da morte daquela que seria sua madrasta, enterrada ao lado do pai, concluiu que sua vida devia ter sido a origem de uma terrível vergonha para a família.

Havia no local uma capela, a qual chamou o interesse de Raimundo. Ao entrar nela, entretanto, o rapaz foi surpreendido mais uma vez pela velha negra que na noite anterior visitara seu quarto. A mulher dançava de forma desengonçada e ria descontroladamente, indo na direção de Raimundo, tentando abraçá-lo. O homem procurava se desvencilhar da figura repugnante e lhe perguntava se ela conhecera seu pai, José, mas nada ela respondia.

Flagrando a cena, Manuel estalou o chicote e mandou que a negra deixasse Raimundo em paz, argumentando que ela era uma antiga escrava de seu irmão.

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