Capitães da Areia: Resumo Por Capítulo

Paráfrase da obra de Jorge Amado, por Bruno Alves

Sob a lua num velho trapiche abandonado – Alastrim

A cidade sofreu uma epidemia de varíola, popularmente chamada de bexiga negra, devido às marcas que ficam na pele do infectado. Na parte alta da cidade os ricos foram vacinados. A doença desceu para os pobres, mas na sua forma mais branda, conhecida como bexiga branca, ou alastrim.

Na cidade dos pobres a varíola era relacionada ao orixá Omolu, deus africano das doenças contagiosas. Ele teria mandado a doença aos ricos, mas eles se protegeram com as vacinas, que Omolu não conhecia, e agora os pobres eram castigados. Homens da Saúde Pública carregavam os doentes em sacos, que eram enviados aos lazaretos, hospitais de quarentena, onde não recebiam qualquer visita e de onde muitos poucos voltavam vivos.

Entre os Capitães da Areia, Almiro foi o primeiro atingido pelo alastrim. Certa noite o negro Barandão o procurou para fazer amor – apesar de proibido por Pedro Bala – e descobriu que seu companheiro tinha febre e bolhas pelo corpo, avisando logo a todos. Sem-Pernas era o único dos líderes do bando presente no momento. Sabendo do caso, imediatamente ordenou que o doente se retirasse, para que não infectasse os outros e porque os homens da Saúde não podiam entrar no trapiche, senão o esconderijo seria descoberto.

Almiro se recusava a ir embora; Pirulito unia alguns meninos numa oração, pois acreditava que a doença era uma punição divina pela pederastia no grupo; Sem-Pernas, que ultimamente estava recluso e agressivo com todos, só cuidava de um cachorro que lhe fazia companhia, decide expulsar à força o garoto doente. Almiro, no entanto, apela dizendo que é do grupo, não merecia ser tratado assim. Ouvindo este argumento, Volta-Seca se manifesta, salta entre Sem-Pernas e Almiro, com seu revólver na mão, pedindo que aguardassem o retorno do chefe do bando. Pirulito saiu correndo, à procura do Padre José Pedro, para que os ajudassem.

Pedro Bala chegou acompanhado do Professor e João Grande. Ao saber do que aconteceu, agradece ao Volta-Seca, dizendo que ele fez correto em proteger Almiro, e dá uma dura em Sem-Pernas, dizendo que ele não é o chefe dos Capitães para expulsar alguém.

Professor observa que os ferimentos do garoto indicam apenas alastrim, não era bexiga negra. Padre José Pedro, trazido por Pirulito, diz que mesmo assim ele deve ser levado para a assistência, para proteger os demais. Pedro Bala não autoriza, pois sabe que todos que vão para o lazareto morrem, e, se fosse o caso, seria melhor que o doente morresse ali, com eles.

Após muita discussão, João Grande lembrou que Almiro tinha família, poderia ser levado para sua casa e lá um médico poderia visitá-lo. Isto foi feito. Padre José Pedro levou um médico para consultá-lo, mas este tal médico chamou a saúde pública: Almiro acabou indo ao lazareto, onde morreu, e o Padre foi denunciado como encobridor do caso (o médico era da religião espírita).

José Pedro foi chamado para falar com o Cônego Secretário do Arcebispado. Inicialmente pensou que tivesse enfim ganho sua paróquia, mas depois concluiu que deveria receber uma punição, por sua relação com os Capitães da Areia. E realmente foi o que aconteceu: o Padre se juntava às crianças, recebia reclamações vindas das senhoras que mais contribuíam com a Igreja e agora quis esconder um caso de alastrim das autoridades, o Cônego precisava colocá-lo em seu lugar: José Pedro não tinha inteligência suficiente para entender os desígnios divinos, por isso nunca foi um destaque no seminário, por isso não podia afrontar seus superiores. Mesmo ouvindo tudo isso, ele ainda tentou argumentar, alegando que precisava salvar aquelas pobres crianças que não tinham nenhum amparo, que havia um que até queria ser padre. O Cônego acusou-o de comunismo e pediu que se retirasse e se redimisse de seus pecados, pois do contrário não conseguiria sua paróquia tão cedo.

O Padre saiu confuso pelas ruas da cidade: por um lado ele queria respeitar o Cônego, pois sabia que era um homem muito inteligente e, portanto, muito próximo de Deus – era o que aprendera no seminário; por outro lado sentia que devia ajudar os meninos, os humildes. Por fim decide continuar a defender os mais fracos, ajoelha-se e ergue as mãos ao céu, agradecendo ao Deus bondoso em que acredita. Mas ele está no meio da rua, muitas pessoas apontam e riem do padre, que dizem estar bêbado.

Agora era Boa-Vida que estava infectado pela bexiga. Ele avisa o Professor, dizendo que vai por conta própria ao lazareto, para proteger os seus colegas da doença. Pede que só Pedro Bala saiba do seu caso. O Professor vê Boa-Vida indo embora, em direção à própria morte, e conclui que ele é um grande homem, dos que têm uma estrela no lugar do coração. Querido-de-Deus diz que a estrela destes homens, quando morrem, passa a brilhar no céu.

Os casos de varíola diminuíam. Omolu deixou apenas o alastrim chegar aos pobres, mas o lazareto fazia com que muitos morressem. As macumbas pediam que Omolu deixasse a cidade, ele atendeu ao pedido.

Boa-Vida voltou ao trapiche, magro, fraco, mas curado da doença. Os garotos perguntaram a ele como era o lazareto, ele preferia não lembrar, só dizia que era como entrar num caixão para aguardar o enterro. Professor ainda enxergava em seu peito uma brilhante estrela.

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